Vou-me embora pra Suécia, lá sou amigo do rei
Por Phil Morocco*
Em mais um capítulo da dramática situação econômica argentina, o governo decretou feriado dos bancos em conseqüência da eliminação do selecionada nacional frente à Suécia. Claudio Caniggia, já prevendo a situação, preferiu deixar o banco bem antes do horário de fechamento. Bem antes do jogo, a crise do país já provocara efeitos devastadores. Sem dinheiro mesmo para comprar um pão, os jogadores ostentavam ridículas cabeleiras, já que não puderam arcar com os altíssimos custos do barbeiro. Alguns, em situação mais dramática, tiveram que apelar para o homossexualismo, o que não foi muito difícil, em se tratando de argentinos.
A conquista dos suedianos, no entanto, me cativou e saí hoje às ruas com uma camisa do Brasil comprada em camelô, homenageando assim simultaneamente os suequenses e os hermanos paraguaios, afinal a camisa era amarela- cor da Suécia- e falsificada- cor do Paraguai.
Após mais esse triunfo, estou disposto a deixar essas paragens tropicais e me mudar para a Suécia, onde sou amigo do rei- ao menos por afinidade, já que a rainha é brasileira. Na Suécia, pode-se encontrar todas as condições necessárias para o bem viver: jogos de baralho ( a popular sueca, lá conhecida como jogo nacional), loiras peitudas (lá conhecidas como comida nacional) e uma seleção que elimina a Argentina (lá conhecida como seleção canarinho-que-treme-de-frio). Além disso, os suecos são um povo muito neo-liberal com suas loiras peitudas, vide os capacetes chifrudos que eles levam para a copa. Está decidido. Parto para lá amanhã. Até porque, do jeito que a coisa está ficando por aqui, corre o risco de eu ser seqüestrado e contrair a síndrome de Estocolmo. Prefiro então conhecer a cidade ao vivo. Como já dizia Manuel Bandeira Azul-e-Amarela, vou-me embora pra Suécia, lá sou amigo do rei.
*O anglo-turco Phil Morocco está tentando tirar o seu passaporte da Suécia com a alegação que já teve sua cota de loiras- geladas- nessa vida.