Conforme prometido, na íntegra e sem cortes (sem edição também) tudo que Bussunda disse e não coube no nosso jornal, bem como aquilo que coube e que se você recebeu o jornal lerá pela segunda vez.
Como foi pra você passar a ter aula de manhã?
Quando eu passei do 4º para o 5° periodo como vocês fui pra de manhã. Foi nessa que eu me fodi. Não acordava. Na minha época tinha greve direto. Passei pra PUC no 1º semestre e pra ECO no 2°. Quando fui fazer minha inscrição, a Puc entrou em greve. Aí eu falei ”Porra de greve e pago eu prefiro ir pra outra”. Ainda bem porque era mais legal.
Porque você escolheu comunicação?
Cara, desde pequeno eu queria ser jornalista. Quando me perguntavam o que eu queria ser, dizia jornalista. Isso até entrar na ECO. Aí eu desisti. Vi que era muito mal pago. Eu sou um alento pra vocês. Via as pessoas recebendo ordens de editoria pra ir cobrir delegacia, cobrir o barraco que desabou à noite.
Você teve aula com o Argolo?
Não, o Argolo dava aula mas eu não cheguei a ter aula com ele.
E com o Saboga?
Tive. Não me lembro minha nota nele mas eu passei, apesar de ter assistido poucas aulas. Na verdade, no inicio do período teve uma greve dessas e depois mandaram ou os professores repetirem a nota ou fazerem um trabalho. Então eu entrei num grupo lá e a gente fez o trabalho e passou. Pra passar na ECO, pelo menos no meu tempo, era preciso que você fosse uma pessoa simpática e bem querida pelos seus colegas, porque na maior parte do tempo eu passei colando ou botando meu nome no trabalho dos outros.
Você chegou a fazer algum estágio?
Fiz um estágio no museu da imagem e do som por quase um ano e lá tinha um arquivo sensacional, coisa que ninguém sabia que estava lá. Depois, trabalhei na assessoria de imprensa de um candidato a prefeito, que era o Marcelo Cerqueira, que é candidato a vice dessa Solange Amaral. Na verdade, eu fiquei meio sem saco. Não de ser jornalista mas de ter patrão. Então eu quis fazer um jornal só meu. Já fazia o Casseta Popular, que era uma coisa bem caseira, de vender de mão em mão. Me afastei da campanha do Cerqueira por causa disso. “Aí cara, eu vou embora porque já to de saco cheio”. Aí ele ficou gritando ”Vai fazer Casseta Popular, vai viver disso!”. Hoje eu agradeço a ele.
Você foi até que período?
Eu fui até o 6º período. Quase! Faltava pouco para eu me formar. Mas tinha educação física I e II que eu não conseguia fazer.
Tinha educação física?
A educação física II podia escolher vôlei, futebol, ainda dava pra fazer. Mas pra fazer a II tinha que fazer a I que era só corrida, malhação. Aí eu comecei a trabalhar, fazia o Casseta Popular e depois fui chamado pra fazer o TV Pirata que a Globo tava criando na época. Na verdade era chamado “Projeto de humor novo”. Isso em 1987.
O Casseta era quem?
Na época era só eu. O Casseta Popular nasceu na engenharia da UFRJ com Marcelo Madureira, o Beto e o Hélio. Na verdade, era um jornalzinho para reclamar da falta de mulher na engenharia. E a gente se conhecia da praia, na Joana Angélica. Aí foram convidados para fazer a página central de um jornal alternativo chamado Jornal Repórter que vendia em banca e chamaram eu e o Claudio, q fazia comunicação na Puc para entrar.
Mas vocês se conheciam antes da faculdade?
O Marcelo e o Claudio estudaram com meu irmão mais velho. E o Marcelo conheceu o Beto e o Helio da engenharia.
Você tinha a idéia de fazer um jornal próprio?
Não tinha a menor idéia, tava aproveitando. Deve ser pelo mesmo motivo que vocês fazem É os Cavalo! Que a gente não era surfista, não sabia tocar violão mas precisava comer alguém. Então fizemos o jornal pra dizer ”Olha, sabemos fazer umas piadinhas”. O problema e que não deu muito certo. Aí se transformou em revista e não deu muito certo. Ai a gente foi pra TV e... não deu certo! Agora vamos tentar o cinema.
Então o que salvou o Casseta foi a TV pirata?
O que me salvou principalmente. Porque eu era o único que não tinha nenhum emprego certo. Eles se formaram...E dei agora uma palestra em Florianópolis justamente sobre isso, “Como o humor salvou minha vida”. Eu tinha 2 irmãos que passaram em primeiro no vestibular. Então, logo vi que não era estudando que eu ia me dar bem. Eu comecei a repetir todas as matérias no 2º grau. Aquele negócio de matar aula, batia o cartão de entrada da escola e depois pulava o muro. Ia jogar sinuca, voltava meio-dia e batia o ponto de saída. Repeti em todas as matérias. Aí virei aquele problema pra família. “Pô, o cara não tá interessado.” Aí minha mãe falava que ia me botar pra trabalhar como faxineiro. Então tinha que passar para universidade pública e ficar sem fazer nada. No que eu passei pra ECO encontrei outro problema pois bebia-se muito e tinha muitas drogas. Então as drogas e as bebidas vieram ao encontro do meu projeto de não fazer nada. E eu tava quase perdido nessa quando fui chamado pra fazer o TV Pirata.
Mas naquela época podia-se beber dentro da Universidade.
Sim, podia beber lá no Sujinho. Não podia beber dentro da ECO, mas a gente bebia. Teve até um episódio com o diretor, Heitor Piedade, que era decano. Os seguranças pegaram a gente com uma garrafa de cachaça no CA e nos levaram pro Heitor Piedade. Ele olhou pra gente e disse ”Faz o seguinte, bota essa garrafa lá na esquina, acende uma vela nela, pra ver se vocês param de beber”.
Nessa época você já tinha fechado o CA da ECO?
Quando eu entrei, o CA era daquele pessoal do MR-8 que fazia o jornal “A Hora do Povo” e tinham feito maior cagada, tinham roubado as máquinas de escrever do CA para a redação. Aí houve uma primeira eleição e depois nós formamos uma chapa que se chamava “Overdose Esfaqueie sua mãe”. Na verdade nossa chapa era só “Overdose” e tinha o pessoal do IFCS que era “Esfaqueie sua mãe”. Era uma coisa meio anarquista. Porque na época era um movimento estudantil muito pré-abertura então todo mundo queria aparelhar o movimento. Então formamos uma galera que entrou numa de sacanear esses caras. Os caras faziam uns cartazes “Nós queremos cultura com c maiúsculo” e agente escrevia “Nós queremos cultura com cu maiúsculo”. Nossas reivindicações eram pela caipirinha no bandejão. Fizemos um ato terrorista, eu fiquei distraindo a menina que distribuía o suquinho e botamos cachaça. Nossa proposta era “CA não tem mais diretor, todo aluno é diretor”. E a gente ganhou e no que nós ganhamos acabou o CA.
Nessa época a eleição era junto com o pessoal do IFCS?
É que na verdade o “Esfaqueie sua mãe” concorria para a eleição do DCE. E pro DCE nós perdemos, tivemos honrosos 500 votos. E no final, eu já tava pra sair, veio uma galera que se organizou pra fazer um novo CA. Então, nós fizemos uma campanha escrita apenas ”Pense”. E ganhamos de lavada.
Mas o CA serve pra falarmos mal dele.
Sim, isso era uma coisa que nós levantávamos mesmo quando discutíamos. “Pô o CA só existe para a gente falar mal dos caras que estão no CA. Então vamos falar mal de todo mundo!”
E você já tinha ouvido falar em CPM na sua época?
Não, no meu tempo a gente tinha aula de rádio com máquina de escrever. Só tinha um gravador na escola. Saí da ECO sem nunca ter visto uma câmera, um gravadorzinho. Às vezes tinha aula.
Você conhece o Messeder? Qual são as suas impressões sobre ele?
Conheço. Mas não dá pra falar com esse gravador ligado.
Também tem o Agostinho de português. Ele disse que te deu aula.
O Agostinho estudou na minha época.
Estudou na sua época? Ele é bem velho.
Então é cascata dele. Ele não me deu aula. Deve ser outro.
A ECO tem dois ícones: você e a Fátima Bernardes.
Eu não peguei a Fátima Bernardes. Nem lá, nem depois.
Como vocês juntaram com o pessoal do Planeta?
Na verdade tivemos o Casseta Popular durante anos. Aí o pessoal do Planeta que eram o Hubert, o Reinaldo e o Claudio Paiva na época, que eram pessoas que vinham do “Pasquim”, eram cartunistas, fundaram esse jornal. E nós tomamos maior susto de ver na banca. Era todo bonitinho, bem feito. Então fomos procurar os caras pra dizer que também fazíamos jornal. Então começamos a colaborar com os caras e eles com a gente até que lançamos uma revista da Casseta Popular pela mesma editora em que eles faziam o jornal. Quando a Globo nos chamou pra fazer a TV Pirata nós começamos a fazer mais coisas. Então veio o Paulinho Albuquerque que convidou a gente pra fazer um show junto, o Casseta e Planeta.
Era um show humorístico?
Era na mesma época da TV Pirata ,em que estávamos escrevendo para Luis Fernando, Débora Bloch, Fernanda Torres, Nanini. Então resolvemos fazer uma coisa diferente, fizemos um musical. Lançamos essas músicas como “Mãe é Mãe”. Era segunda e terça no “Jazz Mania”, era cult. Ficou lotado meses e a classe artística ia ver porque são os dias em q eles não trabalham. E a Globo soube e nos convidaram pra fazer outras coisas. Fizemos o carnaval de 90 ao vivo.
Como foi começar a trabalhar na Globo?
Foi muito marcante, principalmente no dia em que eu fui receber meu salário porque tava foda. Já tava quase voltando a morar com meus pais e quando recebi meu salário em grana na caixa do banco, aquele bolinho de dinheiro. O equivalente a 3 mil reais hoje. Botei dentro do armário e falei “Vamos comer sobremesa hoje!” A gente entrou na Globo porque o Claudio Paiva, que fazia o Planeta Diário nos primórdios, foi o primeiro a entrar. E quando fomos convidados foi pelo Claudio Paiva. E foi muito tranqüilo porque já tínhamos aquele entrosamento com ele. Ele disse “façam suas piadas aí” e nós agarramos a oportunidade. Passamos um fim de semana virando noite e escrevemos 100 quadros. Eles falaram conosco na quinta e na segunda entregamos 100 quadros. Nessa ganhamos um cacife com o diretor do tipo “eles produzem!”. Mas tínhamos bastante coisa da época do jornal. E logo no começo teve aquela discussão com o Chico Anísio que naquele tempo dominava o humorismo dentro da Globo já fazia muito tempo. E ele achou que íamos tomar o lugar dele. O Claudio Paiva e o Guel Arraes tinham esse projeto de humorismo novo e o Chico veio se meter. Aí eles falaram que não queriam nenhum viciado nessa coisa nova que eles iam fazer. O Chico ficou puto, começou a dar entrevista, disse que a empregada dele não ia entender, e a gente respondeu.
O que vocês responderam?
Eu não me lembro o que a gente disse na época mas uns meses depois lemos no jornal “Empregada do Chico Anísio é presa roubando não sei o que”. Porra, realmente a mulher não ia entender. Mas agora nós planejamos fazer um programa com ele. Ele tava disputando o lugar dele, pra mim ele é o melhor comediante do Brasil. As minhas brigas são sempre assim. Que nem o Tim Maia que morreu brigado comigo porque eu imitava ele. Mas eu só imitava porque era o maior fã dele. Era aquela coisa de “Pára, pára, olha o retorno!”.
Como vocês faziam a música dos discos?
Até hoje o Mu Chebabi, que faz a parte musical do programa, faz as músicas e nós fazemos a letra.
Mas vocês sabem alguma coisa de música?
O Reinaldo toca baixo e o Hubert acha que toca alguma coisa.
De onde surgiu o repertório?
Surgia tudo ao mesmo tempo, quando nós nos reuníamos para fazer aquele show.
Mas no disco toca gente como Celso Blues Boy, Léo Jaime...
A gente fez um show histórico quando lançamos o Macaco Tião para a prefeitura no “Circo Voador” com 5.000 pessoas. Ligávamos na moral pras pessoas convidando. E elas iam aceitando, o Celso Blues Boy foi um, tinha Marina...Aí o Lobão, que tava estouradaço na época, topou. Anunciamos na “Rádio Cidade” show com Lobão, com Lobão... E chega na hora 5.000 pessoas, toca um grupo, toca Marina a galera levanta, Celso Blues Boy toca o Hino Nacional. E neguinho tava lá nos bastidores “Lobão não vem né cara, o Lobão não chega”. Liguei pro empresário do Lobão que falou “Fudeu, o Lobão tá com dor de cabeça e disse que não vai”. Aí um cara, que era produtor, disse q o Ultraje a Rigor tava gravando naquela noite no Rio. Liguei pro Roger, disse que tava naquela roubada e eles falaram que dentro de 30 minutos tavam lá. Nem conhecia o cara. E também tavam estouradões.
Vocês quase elegem o Macaco Tião...
O Macaco Tião teve voto, mas tô acreditando no “seu Creysson” agora. Já passou o Serra e o Garotinho.
E como foi até chegar no programa?
A TV pirata durou 2 anos como semanal e quase 1 ano como mensal, com outro elenco. E marcou época. Sua primeira fase foi muito boa mas depois entrou “Pantanal” na Manchete que começou a ganhar de todo mundo. Os artistas da primeira fase se deram muito bem e começaram a querer fazer outra coisa. Então mudou o elenco. E passou a ser mensal, que não pega personagem. E não foi tão bem. E quando a Globo decidiu acabar, ela pediu projetos. E nós fizemos o do Casseta e Planeta mas com atores, a Regina, o Pedro Cardoso. Só que os caras não se sentiam desafiados por fazer repórter. O Luís Fernando dizia que tava cansado de fazer repórter com bigode, sem bigode, careca. E o José Lavigne, que é nosso diretor até hoje disse pra fazer o programa com a gente mesmo. Ficamos meio descrentes.
Por quê?
Primeiro achávamos que era coisa de viado ser ator. Nunca tínhamos feito curso de ator. E será que ia dar certo? E o Daniel Filho, que tinha visto nosso show, disse que devíamos fazer sim, que ia dar certo.
Vocês fazem todo o texto de vocês?
Tem colaboradores como o grupo Garagem, que faz a nossa página. Mas eles colaboram com 15 a 20% do programa. O resto nós fazemos. E tem muita coisa que entregam pra gente e nós mexemos bastante. Enfim, apresentamos esse projeto e entregamos um piloto pro Boni que deve ter tido uma bela visão porque outro dia eu revi e percebi que tava uma merda. E o Boni falou “isso vai dar certo”. Mas como não éramos famosos, ele botou a gente no “Dóris pra maiores” para passarmos a ser conhecidos. E deu certo a estratégia. Era tipo um “Fantástico” meio moderninho com variedades e fazíamos a parte humorística. E nossa parte é que segurava o Ibope. E o programa não deu muito certo, ela resolveu fazer outra coisa e entrou o Casseta e Planeta.
Vai fazer quantos anos?
Vai fazer 10 anos agora em 2002.
Foi difícil trabalhar como ator, fazer roteiro e virar viado?
Olha, inclusive um de nós virou ator mesmo! Mas eu não posso dizer quem... Na verdade, hoje podemos dizer que somos atores porque mal ou bem trabalhamos melhor que muito cara que tá fazendo novela. A graça era não termos preparo. Vestir-se de mulher e falar normalmente, fazer português e não falar como português. Um dos fatores de ter dado certo até hoje é que a gente nunca se propôs a fazer o que não sabe. Fomos aprendendo, testamos uma coisa ou outra. O forte do programa é o texto. E tem muita gente que acha que não é a gente que escreve. Mas qualquer programa que dá certo é porque o texto é bom.
Como vocês trabalham na redação?
Nós gravamos segunda e terça. Temos uma primeira fase que parece com redação de jornal.
E quem define o papel de cada um?
Desde que a gente existe é o José Lavigne. Pra evitar brigas de ego. Na quarta fazemos uma reunião que nem redação de jornal, vemos quais os assuntos que estão pegando. E muita gente fala conosco na rua também. Tem que fazer piada sobre fulano, o Felipão saiu da seleção. Chegamos com essas idéias. Listamos os assuntos e o que dá piada separamos. E fazemos que nem criação publicitária, cada dupla escreve sobre um assunto. E como somos 7 tem sempre 1 q fica de folga.
E as pessoas ficam enchendo o saco chamando de Seu Casseta?
Aqui no rio as pessoas falam e conversam muito. Na boa. Fora tem uns lugares que não dá pra sair como o nordeste. Foi uma coisa que eu perdi com a fama. A gente tenta sair e junta multidão. Fomos a Belém e o Hubert e o Marcelo foram numa feira popular da cidade. Cheia pra cacete. Eu falei “Pô isso é roubada, tem um museu de história natural aqui perto.” Fomos eu, Hélio e o Beto, era domingo. Ficava num parque lindo e quando fomos entrar num museu tinham umas criancinhas que disseram: “Olha o seu casseta!” Aí nós entramos rapidinho. Quando a gente sai tinha polícia na porta organizando a fila, tinha gente pra cacete. Fiquei mais de 3 horas dando autógrafo.
E como surge as idéias dos livros?
Alguns compilamos coisas q já fizemos menos os de piada. E só é publicada piada que os 7 gostaram. É uma peneira. E vende pra cacete. Somos 7 pessoas diferentes, com gostos diferentes. Quando os 7 acham engraçado é um bom sinal.
Em quem você vai votar nessas eleições?
Eu não vou votar no Ciro.
Você votaria no que seria mais engraçado como presidente?
Esse é um problema que eu tenho. Eu faço o Lula e o Garotinho no programa. Se o Lula ganhar, eu vou ficar 4 anos no programa colando uma barba. E se o Garotinho ganhar, vou passar 4 anos ajoelhado. Então, eu prefiro o Serra.
Vocês falavam que queriam eleger o Espiridião Amin pro Planalto em 1994.
Foi uma pena ele não ter sido eleito. Mas o Serra é um careca não tão careca.
E no Rio de Janeiro?
No ponto de vista humorístico? No Rio é engraçado porque minha filha tem 8 anos e quando eu disse pra ela que o governador é o Garotinho e a governadora ia ser a Rosinha, ela me perguntou “Mas essa Rosinha é personagem ou é de verdade?” É essa coisa, Rosinha, Bené, Dadá, Dedé, Dudu...É uma coisa meio infantil.
E o Jorge Roberto tá no harém.
Vou contar uma estorinha do Jorge Roberto. Ele era o dono da editora em que era publicado o Planeta Diário e a quem procuramos pra lançar a revista do Casseta Popular.. Editamos durante um ano e pouco com ele. Aí o Jorge Roberto foi se lançar candidato a deputado e a grana de uma edição nossa misteriosamente sumiu e nos desligamos da editora. E a coisa mais difícil foi recuperar o nome Casseta Popular que era de propriedade do Jorge Roberto. E ele tava fugindo porque tinha que assinar um negócio para devolver o nome pra gente e ele não queria assinar de jeito nenhum. Nele eu não votaria.
E qual a relação de vocês com a Maria Paula?
Bem, eu tô comendo, não sei os outros. A gente tenta comer todas as apresentadoras. A primeira foi a Kátia Maranhão e depois a Dóris Giesse. E agora a Maria Paula que já tá um bom tempo com a gente. Aí você vê que ela tá agradando.
E de onde surgiu a idéia de chamar ela?
Tanto com a Kátia quanto com a Dóris, a questão era a mesma: a gente precisa de uma mulher. Programa sem mulher não dá certo. Mas elas eram muito jornalistas. E tinha muita coisa que a gente queria que elas fizessem e elas se recusavam pois tinham uma imagem a zelar. E se recusavam por causa da imagem. E a Maria Paula veio da MTV cheia de gás a fim de fazer o que fosse. E fez tudo que a gente mandou.
Mas ela faz alguma coisa ou só apresenta?
Olha, inclusive ela veio aqui hoje...
Pô, nós perdemos!
Perderam mesmo, ela tava com uma mini-saia maravilhosa! Ela tá morando aqui perto então ela nos visita mais. Ela vem pra reunião de pauta e agora a gente deixa ela falar alguma coisa. Antigamente ela chegava e a gente falava “Maria Paula, pega esse papel aqui e faz um desenho bem bonitinho”. Às vezes no “ao vivo” ela manda alguns improvisos como o negócio do Gianechinni que quebrou o dente. Ela tá bem entrosada.
De onde surgem as idéias para os produtos Tabajara?
Aqui mesmo na redação.
Mas vocês recebem muita colaboração de gente da rua?
Quando começou não recebíamos não. Mas agora o pessoal ajuda bastante. Os nomes normalmente são uma merda e a gente muda mas a idéia é boa.
É muito difícil fazer esses produtos?
Olha, normalmente fazemos isso nas reuniões de sexta e mandamos pra Globo. O pessoal deixa tudo pronto pra gravar na terça feira que é o dia das matérias frias. Segunda nós gravamos atualidades. São as matérias frias que seguram essa onda de trabalhar duro toda semana.
Na inocência, o que é essa minhoca saindo do planeta que é o símbolo de vocês?
Na verdade era pra ser uma casseta saindo do planeta mas ia ficar meio escroto. O Ipojucan, que faz nossa arte, é que bolou. E tinha uma época que a cobra falava. O Boni que cismou que essa minhoca tinha que falar. Tinha que obedecer e nós obedecemos.
E o site de vocês?
Nós começamos com esse negócio de site quando ainda era meio pioneiro trabalhar com Internet. Não sabíamos nem mexer. Nós aprendemos muito antes dos outros por causa desse pioneirismo e acabou matando a revista. Podemos fazer uma piada e logo colocar ela lá. E é uma outra empresa lá na praça General Osório que é a Tabanet. Virou um negócio grande e teve que virar uma empresa. São mais de 2 milhões de acessos por mês.
Quem teve a idéia de escrever o Agamenon?
È idéia do Marcelo e do Hubert. Foi um convite do “Globo” pra gente fazer uma coluna. Mas a galera do Casseta achou que era melhor se dedicar apenas ao programa de TV. E os dois criaram esse personagem pra poder escrever um monte de merda porque eles sabiam que iam ser processados. Várias pessoas já processaram o Agamenon.
Já te processaram alguma vez?
Já mas somos todos primários. Só perdi um, e me arrependo porque não foi uma piada, para o Clodovil. Porque quando o Senna morreu, ele entrevistou a Galisteu e ficou insinuando que o Senna era viado. Tanto que acabou o programa dele por causa disso. E eu tinha uma coluna no Estadão e botei uma notinha dizendo que a notícia do ano foi o fim do programa do “mala, recalcado e mau-caráter” do Clodovil. Aí ele me processou e eu fui absolvido pelo “mala e recalcado” e condenado pelo “mau-caráter”. Tive que pagar 1.500 reais. Já fomos processados pelo Collor, pelo PC Farias, pela Jorgina de Freitas e Ricardo Teixeira. Só gente boa.
O Eurico Miranda não processou vocês?
Não, não sei como! Na verdade, o cara não processa em nome dele, é através do advogado. A única q processou usando o próprio nome foi a Jorgina. E o juiz indefere porque a parte ofendida não está presente. Mas se você muda um pouquinho o nome da cara já ta valendo. Por isso que nós inventamos esses nomes tipo José Massacre da Motoserra. Por mais babaca que seja é humor. E dá pra reconhecer. Se você for chamar de viado e filha da puta é melhor mudar.
E a própria Globo não fica puta com o que vocês falam como chamar a novela Esperança de Semelhança?
O Benedito Ruy Barbosa ficou puto e mandou até um recado. Existe censura e nós testamos os limites. Várias já passaram. O Lavigne recebe uma ordem e corta. Tem um comitê de notáveis da Globo que decide isso. A maioria das coisas é explicável como chamar alguém que nem foi condenado de ladrão. Aí o departamento jurídico censura. Porque o sujeito quando processa a Globo pede logo 20 milhões. É que nem ganhar na loteria. Outro tipo de censura que existe é que não podemos falar mal dos adversários. Antigamente, quando eu entrei, não podia falar de Igreja, não podia falar de reforma agrária.
Do Roberto Marinho pode?
Eu acho q ele nem assiste nosso programa. Mas na época do Collor, quando a Rosane Collor foi acusada de roubar a LBA, nós botamos um programa com ela vestida de presidiária. E o Collor ficou puto, ligou pro Roberto Marinho que pediu a fita do programa. E nós tivemos que fazer um programa diferente. Aí ele viu a fita e disse pro Collor que não falávamos nada que já não estivesse saindo nos jornais. E na semana seguinte nós passamos a fita. E o cara era presidente ainda.
Que outro professor você conhece da ECO?
Olha vários morreram na minha época. Só tinha velho dando aula. Teve um que morreu de cirrose. O nome do cara era Ilamar do Pinto Seixas e bebia o tempo inteiro. E a Ivana Bentes ainda dá aula? Ela estudou comigo no meu tempo. Ela era gostosa pra caralho.
Manda um recado pro pessoal da ECO. Como você pode ser famoso, inteligente e pegar mulher estudando na ECO?
Não pode. Desiste! Só desistindo. E o movimento estudantil continua aquela coisa de comunista, ninguém come ninguém, não é? Na época do “Overdose” neguinho ficava maluco. Quando era eleição e a gente perguntava quem ia ser a Mesa, eles diziam “não precisa de mesa, é a união do povo todo mundo fala o que quiser!” E no dia da apuração tinha um fiscal de cada chapa. E nós ficávamos em cima gritando “Deixa roubar, deixa roubar!” Tava todo mundo bêbado já. O único fiscal que a gente mandou para uma eleição foi o Cláudio Calígula que hoje até é jornalista do Globo. O cara tava caindo de bêbado, enchendo o saco de todo mundo, quando disseram que precisavam de fiscal pra economia. Aí nós dissemos “Vai lá Calígula!” Ele ficou lá sentando doidão, neguinho demorando uma hora pra contar os votos. Então ele começa a gritar “Ta roubando, porra!” e começou a enfiar porrada em todo mundo. Precisou de 10 pra segurar ele. E em dia de votação a gente ficava em cima da urna e quando nego votava na gente mostrava o voto e geral comemorava. Aí o cara de economia do DCE disse que não podia ficar perto da urna. Então eu cheguei e falei “Aí grande, vamos conversar”. Fui eu, o Cara de Tatu, que era o primeiro punk do Brasil e tinha uma banda, “Coquetel Molotov”, que ensaiava numa Igreja cantando “pau no cu de deus”, e o Marconi que foi um cara que morreu de overdose, e levamos o cara pro banheiro. Aí eu peguei o cara pela gola da camisa e falei “ Bicho é o seguinte, se tu não deixar a gente ganhar a eleição aqui, tu vai morrer, cara!” E o Tatu do meu lado, com aquele cabelão, ficava falando “ Tu vai morrer cara, tu vai morrer!” Ele saiu de lá e nunca mais apareceu.
De onde surgiu o apelido Bussunda?
Bem, eu costumo dizer que Bussunda é uma mistura das duas coisas que eu mais gosto. Aí eu fui naquele quadro Intimidade da Xuxa e ela falou que uma coisa ela sabia que era bunda. Aí veio no meu ouvido e falou assim baixinho “A outra é buceta?” Eu nunca mais lavei o ouvido! Na verdade, meu sobrenome é Besserman e eu fui numa colônia de férias quando tinha 12 anos. Me chamavam de Besserman mas eu fiquei 5 dias sem tomar banho porque eu ia na piscina e não tinha vontade de tomar banho. Então já tavam me chamando de Besserman Imundo. E eu andava muito com um amigo meu que se chamava Zé Bruno. E a coisa foi até que chamaram ele de Zubunda e eu de Bussunda. Mas eu adotei o nome e ele não. Mas a mistura das duas coisas que eu mais gosto é mais legal. E teve agora essa exposição da tabajara e na hora das perguntas veio um garotinho com 5 anos pra perguntar o que significava Bussunda. Eu respondi “São as duas coisas que eu mais gosto. Pergunta pro seu pai que ele sabe o que é.” Aí, um tempo depois, eu tava saindo e veio o pai em cima de mim “ Porra, o garoto ficou me enchendo o saco a tarde toda com isso!”
Muita gente não conseguiu ver a exposição.
É, foi o maior sucesso. Ninguém esperava. Vamos até fazer outra. Eu disse até pra galera que tava a fim de comprar tudo isso e botar num Museu Tabajara.
Você foi no ENECOM?
Fui. E a nossa viagem foi histórica. O primeiro foi legal lá em Florianópolis. No segundo, lá em Fortaleza, o Brizola tinha acabado de ser eleito pro governo do Rio e tinha aquele papo de que tudo ele fazia pelos estudantes. E a gente tava num papo de “Pô, é muita grana pra arranjar um ônibus pra esse negócio.” E aí disseram “Vamos pedir pro Brizola, ele tá ajudando todo mundo.” Então beleza, nós fomos pro Palácio Guanabara. Chegamos lá e dissemos “Eu queria falar com o Brizola”. Aí veio um assessor do Brizola e nós explicamos que era importante a gente ir pro evento e coisa e tal. Ele disse que ia falar com o Brizola e nós ficamos numa sala do Palácio esperando. O cara voltou depois de meia hora e disse que no dia tal iam ter 2 ônibus lá na praia vermelha. Quando chega o dia a gente vê aquele ônibus 996 Charitas-Gávea pra fazer a viagem até Fortaleza!
E vocês tinham falado que era até Fortaleza?
Falamos, cara! A gente se olhou e disse “Vamos nessa!” O motorista lá na avenida Brasil ficava perguntando “Bahia é pra lá?” Ele nem sabia pra onde era! E a única coisa que a gente tinha era uma carta do Brizola escrita toda direitinha “O Brizola autoriza o uso...” Botamos saco de dormir no chão.
E pra mijar?
Aí parava, tivemos várias paradas, jogamos pelada no meio do caminho. Quantidade de entorpecentes enorme, em todo lugar comprávamos uma cachaça. Nego vomitando. E a Polícia Rodoviária parava a gente e nós dávamos aquela carteirada com o nome do Brizola. E eles ligavam pro Palácio pra confirmar e liberavam a gente. Eles não acreditavam. Foram 60 horas de ida e 60 de volta. Ficamos menos tempo lá em Fortaleza do que na estrada. Fiz uma caminha na curva do estepe que eu usava como travesseiro. Uma vez teve uma parada quando nós fomos lá numa rodoviária e não tinha nada pra comer. Aí vem uma garota e pergunta num mercadinho “Esse bolo é com passas?” Aí o cara pega o bolo e as passas voam.
Porque te chamaram pra fazer a dublagem do Shrek?
Naquela época estávamos fazendo aquela campanha “não solte pum no elevador“ e na primeira cena do filme ele solta um pum. Aí falaram que tinha tudo a ver com o Casseta e Planeta.
E o filme do Casseta e Planeta vai ser sobre o quê?
Pegamos o universo da década de 70 mas as piadas são atuais. É um grupo terrorista muito louco. É um cara comunistão mesmo, ficava a mãe costurando casaquinhos vermelhos pra ele. O outro é um natureba radical que explode açougue, explode churrascaria. Fuma tudo que vê pela frente menos maconha. Fuma tudo que vem do Ceará, tipo se tem uma bolsa de couro que vem do Ceará então ele fuma a bolsa. E tem o Peixoto Carlos que é um revoltado com a Jovem Guarda, principalmente com o Roberto Carlos. Acha que ele roubou todas as músicas dele e na verdade ele tem versões muito ruins. Por exemplo, “Nas Curvas da estrada de Santos” ele fez antes na “BR-116...” Eles se juntam e tão vendo a final da copa de 70 revoltados com o povo comemorando. E eles resolvem roubar a taça Jules Rimet. E tem aquela história toda da Ditadura correndo atrás da taça. A Conspiração Filmes vai fazer a produção e a direção mas a Globo Filmes tá na parada também. É um projeto com mais de 5 anos já.
E o filme foi cotado como uma das maiores promessas de biheteria junto com o próximo filme da Xuxa.
Tomara. Estamos na rabeira da Xuxa!
Dos vários convidados que já foram ao seu programa, quais foram os melhores?
Tem os caras que são mais engraçados no camarim como o Ney Latorraca, a Ângela Rô-Rô. E ela mandou uma genial. Ela tava sentada na poltrona e a Maria Paula tava sentada no braço da poltrona. E a Ângela Rô-Rô tava falando assim “E a mulher tava com aquela buceta toda aberta na minha frente”. Então a Maria Paula levantou e foi sentar do outro lado. E a Ângela Rô-Rô falou pra Maria Paula “ Ah, já vi q você gosta de peru não é?” Aí pegou aquela papada que ela tinha embaixo do queixo e ficou balançando “Olha o peru aqui! Glu, glu, glu, glu!”
E o Ney Latorraca já falou alguma coisa assim pra vocês?
Não, nem tem isso...
Nem depois q você virou ator?
Não cara, não tem isso! Mas no ar, assim, o Ronaldinho foi muito bom. Quando a gente faz com a galera do futebol, Zeca Pagodinho, que não tem muita noção disso eu acho mais legal.
E esse negócio da Copa, vocês não xingaram a Globo quando ela cancelou a viagem de vocês para essa Copa?
Cara, o pior é que tínhamos que tomar vacina de sarampo que é obrigatória pra entrar lá no Japão. E a mulher me falou que poderia em uma semana causar febre, manchas pelo corpo. E quando voltamos pra redação avisaram que a viagem tinha sido cancelado. E nós ligamos pra Globo “ Vocês inocularam sarampo na gente!”
E surgiu alguma mancha?
Não...Mas assim, na Copa de 94 foi uma virada pra gente, o Brasil ganhou a Copa e nossa audiência começou a estourar. E um dia que eu não me esqueço, veio um velhinho amparado pela enfermeira e me contou “Minhas duas últimas grandes alegrias quem me deu foi o Romário e você”. E 98 foi sensacional porque foi na França e passar 40 dias em Paris pago pela Globo foi sensacional.
Com o fim da entrevista damos a camisa do É os Cavalo! pro Bussunda:
Espero que tenhamos acertado o número.
Pô, só se tivesse outro X no tamanho. Que Bom gosto! No meu tempo as camisas não eram assim não.
É nós queremos abrir uma grife. Mas no tempo de vocês o jornal era vendido não é?
A gente fazia em mimeógrafo. Pelo menos era à base de álcool. Vocês fazem o jornal há quanto tempo?
Desde o segundo período.
Minha turma, assim que a gente entrou, lançou um jornal chamado Imprensão que era sério. E foi engraçado porque vinha a galera do movimento estudantil e ficava injuriada. Faziam de tudo pra derrubar “vocês tem que conhecer a faculdade antes”
São vocês 3 q fazem tudo?
Não, são 10 pessoas
E tem mulher nessa parada?
Tem uma, a nossa Maria Paula. Mas ninguém comeu ela não.
Mas a ECO é boa pra comer gente galera. Mulher que estuda comunicação é porque tá a fim de dar! Vocês não estão tentando?
Tem um aqui que já conseguiu alguém da ECO.